O aprofundamento da crise financeira internacional atingiu as economias emergentes mediante vários canais de transmissão, que envolveram seja a conta corrente (queda dos preços das commodities e da demanda mundial e aumento das remessas de lucros pelas empresas e bancos), seja a conta financeira (menor ingresso de investimento direto, saída dos investimentos de portfólio, interrupção das linhas de crédito comercial e forte contração dos empréstimos bancários). O impacto desses canais, todavia, tem sido heterogêneo entre as economias emergentes devido aos diferentes graus de abertura financeira e comercial, à estrutura da pauta de comércio exterior, bem como às respostas de política econômica.
A interação entre a natureza da inserção comercial e financeira no período precedente, a situação macroeconômica e a gestão da política econômica frente ao efeito-contágio da crise condicionaram o seu impacto sobre o nível de atividade dos países emergentes. Os dados disponíveis mostram que todas as economias da amostra registraram desaceleração na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2008 (com algumas já apresentando variação negativa do PIB). No primeiro trimestre de 2009, com exceção da Índia, nas demais economias o desempenho do PIB foi ainda pior e um maior número de países apresentou contração da atividade econômica.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
DESDOBRAMENTOS DA CRISE GLOBAL: O DESEMPENHO DAS ECONOMIAS EMERGENTES
terça-feira, 14 de julho de 2009
A POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL EM 2008
A POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL EM 2008
Em 2008, o Banco Central do Brasil conduziu a política monetária para manter a inflação no centro da meta (IPCA igual a 4,5%), a partir do diagnóstico de que havia “risco relevante para o panorama inflacionário”, em razão do descompasso persistente entre o ritmo da expansão da demanda e o da oferta doméstica. Em resposta à forte elevação do preço dos alimentos ao longo do primeiro semestre deste ano, puxada pela alta acelerada dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional, que levou o IPCA acumulado em doze meses a se distanciar cada vez mais do centro da meta, a autoridade monetária iniciou, no mês de abril, uma nova fase de alta da Selic que só seria interrompida em outubro, quando a economia brasileira já havia sido fortemente atingida pelos impactos do aprofundamento da crise global. O último aumento da meta da taxa básica de juros ocorreu no dia 10 de setembro, em meio à intensificação das turbulências nos mercados financeiros internacionais e ao movimento de intensa deflação nos preços internacionais das commodities agrícolas e do petróleo. Nas duas últimas reuniões do ano, realizadas nos meses de outubro e dezembro, o Copom manteve a meta da Selic no elevado patamar de 13,75%, em flagrante contraste com a redução expressiva das taxas de juros oficiais praticadas pelos bancos centrais de economias centrais e periféricas. Fortemente afetada pela crise global sistêmica, tanto pela via do comércio como pela via dos fluxos de capitais, a economia brasileira sofreu as consequências da abrupta retração do crédito e desacelerou fortemente no último trimestre do ano. Tudo indica que o BCB errou duas vezes: uma em insistir no diagnóstico de que a economia brasileira estava crescendo acima do seu potencial e a outra por não vislumbrar a gravidade da desaceleração em curso nas economias avançadas associada ao movimento de desalavancagem do sistema financeiro e de deflação dos ativos.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Workshop
Objetivo:
Público alvo:
Abertura do Workshop
Dr. Geraldo Biasoto Junior (Diretor Executivo da Fundap)
Dr. Sidney Sanches (Diretor Adjunto da DEAT - CAT / SEFAZ-SP)
Palestras realizadas no workshop:
- “Operações Interestaduais do Estado de São Paulo”
João Marcos Winand
Diretor Adjunto da Diretoria de Arrecadação Tributária – DEAT/CAT/SEFAZ-SPOuça a apresentação
- “Aplicação de Modelos de Insumo-Produto para Análise da Arrecadação Tributária”
Joaquim J. M. Guilhoto
Professor Titular da FEA –USP; Chefe do Departamento de Economia.
Veja a apresentaçãoOuça a apresentação
- “Matriz Logística para o Estado de São Paulo”
Milton Xavier e Silvio Uehara
Superintendente de Planejamento da Secretaria dos Transportes do Governo do Estado de São Paulo
Veja a apresentaçãoOuça a apresentação
- Debate
Ouça o debate
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Prévia do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre de 2009
A Fundap, com base num modelo econométrico e numa série de indicadores antecedentes e coincidentes da atividade econômica disponíveis até maio de 2009, calcula uma prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Utiliza-se uma série de indicadores que são altamente correlacionados com o PIB para apontar uma tendência prospectiva para o crescimento trimestral deste indicador. Segundo esta metodologia, o PIB do primeiro trimestre de 2009, em relação ao último trimestre de 2008, pode apresentar uma queda de 3,3% na série ajustada sazonalmente.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Boletim Cebrap
Um espaço para articular a reflexão atual sobre as políticas públicas, permitir o acesso, o debate e o aprofundamento de questões que circundam o ambiente de trabalho da Fundap. Entre as atividades do portal está a realização do Boletim Fundap Cebrap para o acompanhamento de políticas públicas no Brasil, com atenção especial ao Estado de São Paulo.
A terceira edição do boletim aborda a inclusão digital e o governo eletrônico (e-gov).
Leia a terceira edição do Boletim Fundap-Cebrap
A segunda edição do boletim Políticas Públicas em Foco analisa comparativamente os sistemas público e privado de saúde no Estado de São Paulo, com ênfase na avaliação dos usuários.
A primeira edição do Boletim Fundap-Cebrap aborda o tema Ensino Profissionalizante e Qualificação Profissional, trazendo as análises feitas por especialistas e os resultados de um survey realizado na Região Metropolitana de São Paulo.
Leia a Primeira edição do Boletim Fundap Cebrap
terça-feira, 2 de setembro de 2008
O Mercado de câmbio em 2008
Ao longo dos primeiros sete meses de 2008, o real manteve sua trajetória de apreciação, ocupando, mais uma vez, a primeira posição no raking das moedas emergentes que mais se valorizaram frente ao dólar. O objetivo desta nota técnica é examinar os fatores condicionantes desta trajetória, a despeito da reversão das condições favoráveis de liquidez externa, associada à crise financeira internacional. Parte-se da hipótese de que, no caso da economia brasileira, que possui um elevado grau de abertura financeira e mercados de derivativos líquidos e profundos, a taxa de câmbio nominal (Real/US$) é determinada pela interação das transações cambiais nos mercados à vista e futuro de câmbio.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
O mercado de capitais brasileiro no período 2003-2007: evolução e tendências
Autor: Grupo de Conjuntura
O mercado de capitais brasileiro apresenta desde 2005 um grande dinamismo. De um lado, observa-se uma forte expansão da captação de recursos pelas empresas brasileiras via emissão de debêntures, ações, Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) e outros instrumentos de financeiros como o fundo de investimento em participação (FIP). De outro, verifica-se o aumento do número de companhias abertas que passou de 621 para 682 entre dezembro de 2005 e 2007.
Vários fatores explicativos estão na origem desse movimento: (i) o cenário internacional favorável; (ii) a melhora no quadro macroeconômico geral da economia brasileira, com a consolidação da estabilidade da moeda e, em particular, nos preços-chave da economia (câmbio e juros) e retomada do crescimento econômico; (iii) as mudanças regulatórias que permitiram criação e/ou aperfeiçoamento de instrumentos de securitização de dívida (como o FDIC e CRI - Certificado de Recebíveis Imobiliários e o aperfeiçoamento na infra-estrutura do mercado de capital brasileiro). No mercado acionário, onde a participação estrangeira atingiu 35,2% em dezembro de 2007, a importância do ciclo internacional de liquidez como um dos principais determinantes do dinamismo atual do mercado de capital brasileiro torna-se ainda mais evidente.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Ciclo de Seminários - 2º Evento - 28/05/08
Tema: DESENVOLVIMENTO: RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS
Com a hegemonia do pensamento neoliberal, o debate em torno às questões estruturais que conformam o subdesenvolvimento perdeu a centralidade. Passaram ao primeiro plano a estabilidade macroeconômica, essencialmente através das políticas monetária e fiscal, e as questões institucionais (reformas “market friendly”, privatização, criação de agências de regulação, etc.). Nessa visão, o desenvolvimento adviria como resultado “natural” de tais políticas desde que acompanhadas de políticas sociais, principalmente educação, saúde e assistência social, preferencialmente se focalizadas nos segmentos mais vulneráveis.
Assistimos hoje a um ainda incipiente processo de superação desse paradigma. Volta-se a atribuir importância ao papel do Estado no enfrentamento dos problemas do desenvolvimento, cujas causas estruturais permanecem a despeito do cumprimento daquele ideário. Esse papel já não poderá ser da mesma natureza que assumiu no passado e as novas formas de ativismo governamental serão objeto de um seminário especial. Abertura do Seminário
Vera Lúcia Cabral Costa –Diretora Técnica de Políticas Sociais da Fundap
Mediador:
- Cláudio Salm
Professor do Departamento de Economia da UFRJ e membro da editora do site Aparte - Inclusão Social em DebateVeja o texto desse expositor
Ouça a apresentação de Cláudio Salm
Expositores:
- Carlos Alonso B. de Oliveira
- José Luis Fiori
Professor de Economia Política Internacional no Instituto de Economia UFRJ
Debate:
-Abertura dos debates - Cláudio Salm
terça-feira, 27 de maio de 2008
Do “vôo da galinha” ao crescimento sustentado: possibilidades e incertezas
Autor: Grupo de Conjuntura
Esta Nota Técnica traça a evolução da economia brasileira pós plano real destacando os dois períodos (1999-2002 e 2003-2007) nos quais a gestão macroeconômica é estruturada a partir do câmbio flutuante e das metas de inflação. A linha de análise é confrontar as relações entre as mudanças no cenário internacional e o desempenho da atividade produtiva doméstica avaliando os movimentos dos preços chaves – juros e câmbio. A economia brasileira passa por uma mudança do seu eixo dinâmico no período recente, o vetor de dinamismo está sendo o mercado interno. Em 2006 e 2007, a demanda doméstica contribuiu com, respectivamente 5,2 e 6,9 pontos percentuais na expansão do PIB. A demanda externa passou a contribuir negativamente neste período devido ao incremento das importações acima do patamar das exportações. Três fatores influenciaram a expansão do mercado interno: (i) o ciclo de crédito – alongamento dos prazos e redução da taxa de juros; (ii) o crescimento da massa de rendimento e do emprego formal; (iii) a consolidação de um conjunto de políticas sociais distributivas de renda, cujo destaque é o programa Bolsa Família. O ano de 2007 é a marca divisória entre uma situação anterior de tranqüilidade em relação à condução da política econômica e um cenário de maior turbulência no cenário internacional, num contexto de aceleração do crescimento doméstico. Se do ponto de vista do desempenho da economia o ano de 2007 foi virtuoso, os desdobramentos desse dinamismo num cenário externo mais restritivo devido à crise financeira dos EUA, já mostram sinais de potenciais desequilíbrios no balanço de pagamentos. A apreciação cambial que ajudou a levar a inflação para abaixo da meta em 2006, agora cobra o seu preço. No final de 2007, a taxa de câmbio nominal chegou ao patamar 1,75 e retirou competitividade das exportações estimulando um maior número de empresas aderirem às importações. Neste contexto, a gestão da política econômica entrou em uma fase mais difícil a partir de 2008, o aumento da volatilidade dos fluxos de capitais para o país e a tendência de alta das matérias-primas no mercado mundial, impôs constrangimentos entre o patamar de preços buscado pelo Banco Central e o cenário de aquecimento do mercado interno.O comércio exterior brasileiro em 2007
Autor: Grupo de Conjuntura
O trabalho destaca os principais resultados do comércio exterior brasileiro em 2007, com ênfase na evolução dos preços e das quantidades exportadas e importadas. No ano passado, o superávit comercial foi de US$ 40 bilhões, um recuo de 13% em relação ao resultado de 2006, decorrente do maior dinamismo das compras externas vis-à-vis as vendas externas. A forte expansão das importações esteve associada tanto à apreciação do real, como ao maior crescimento econômico em 2007. Já a expansão de 17% das exportações entre 2006 e 2007, em um contexto de taxa de câmbio real apreciada e maior dinamismo do mercado interno, foi propiciada pela evolução favorável do comércio mundial em termos de quantidades e, sobretudo, de preços.
A principal conclusão é que a mudança inédita da posição externa de devedora para credora da economia brasileira no inicio de 2008, estruturada a partir dos resultados positivos nas transações correntes registrados nos últimos cinco anos, e viabilizados até 2006 pelos sucessivos e crescentes superávits na balança comercial, pode ter vida curta. O cálculo desta posição credora subestima o passivo externo do país, pois não considera o estoque de investimento estrangeiro de portfólio no mercado financeiro doméstico, aplicado em ações e títulos públicos de renda fixa, que atingiu US$ 214 bilhões em dezembro de 2007.
Se na avaliação do grau de aprofundamento da crise financeira descartarmos um cenário pessimista – recessão nos Estados Unidos, com contágio para os demais países, inclusive asiáticos, – a balança comercial deve registrar esse ano um resultado ainda favorável, mas insuficiente para zerar o déficit em transações correntes. Caso estes resultados negativos persistirem nos próximos anos, a posição externa credora sofrerá restrições. Ou seja, para que esta posição seja sustentável, o superávit comercial não pode apresentar recuos adicionais, dada a rigidez da conta de serviços e rendas. Um desempenho exportador tão dependente da evolução dos preços das commodities, o crescimento intenso e generalizado das importações e a perspectiva de manutenção da taxa de câmbio num patamar apreciado suscitam preocupações quanto à evolução do saldo comercial a médio e longo prazo.
