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quarta-feira, 29 de julho de 2009

DESDOBRAMENTOS DA CRISE GLOBAL: O DESEMPENHO DAS ECONOMIAS EMERGENTES

O aprofundamento da crise financeira internacional atingiu as economias emergentes mediante vários canais de transmissão, que envolveram seja a conta corrente (queda dos preços das commodities e da demanda mundial e aumento das remessas de lucros pelas empresas e bancos), seja a conta financeira (menor ingresso de investimento direto, saída dos investimentos de portfólio, interrupção das linhas de crédito comercial e forte contração dos empréstimos bancários). O impacto desses canais, todavia, tem sido heterogêneo entre as economias emergentes devido aos diferentes graus de abertura financeira e comercial, à estrutura da pauta de comércio exterior, bem como às respostas de política econômica.
A interação entre a natureza da inserção comercial e financeira no período precedente, a situação macroeconômica e a gestão da política econômica frente ao efeito-contágio da crise condicionaram o seu impacto sobre o nível de atividade dos países emergentes. Os dados disponíveis mostram que todas as economias da amostra registraram desaceleração na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2008 (com algumas já apresentando variação negativa do PIB). No primeiro trimestre de 2009, com exceção da Índia, nas demais economias o desempenho do PIB foi ainda pior e um maior número de países apresentou contração da atividade econômica.

terça-feira, 14 de julho de 2009

A POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL EM 2008

A POLÍTICA MONETÁRIA NO BRASIL EM 2008

Em 2008, o Banco Central do Brasil conduziu a política monetária para manter a inflação no centro da meta (IPCA igual a 4,5%), a partir do diagnóstico de que havia “risco relevante para o panorama inflacionário”, em razão do descompasso persistente entre o ritmo da expansão da demanda e o da oferta doméstica. Em resposta à forte elevação do preço dos alimentos ao longo do primeiro semestre deste ano, puxada pela alta acelerada dos preços das commodities agrícolas no mercado internacional, que levou o IPCA acumulado em doze meses a se distanciar cada vez mais do centro da meta, a autoridade monetária iniciou, no mês de abril, uma nova fase de alta da Selic que só seria interrompida em outubro, quando a economia brasileira já havia sido fortemente atingida pelos impactos do aprofundamento da crise global. O último aumento da meta da taxa básica de juros ocorreu no dia 10 de setembro, em meio à intensificação das turbulências nos mercados financeiros internacionais e ao movimento de intensa deflação nos preços internacionais das commodities agrícolas e do petróleo. Nas duas últimas reuniões do ano, realizadas nos meses de outubro e dezembro, o Copom manteve a meta da Selic no elevado patamar de 13,75%, em flagrante contraste com a redução expressiva das taxas de juros oficiais praticadas pelos bancos centrais de economias centrais e periféricas. Fortemente afetada pela crise global sistêmica, tanto pela via do comércio como pela via dos fluxos de capitais, a economia brasileira sofreu as consequências da abrupta retração do crédito e desacelerou fortemente no último trimestre do ano. Tudo indica que o BCB errou duas vezes: uma em insistir no diagnóstico de que a economia brasileira estava crescendo acima do seu potencial e a outra por não vislumbrar a gravidade da desaceleração em curso nas economias avançadas associada ao movimento de desalavancagem do sistema financeiro e de deflação dos ativos.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Workshop

Matriz de Insumo-Produto, Matriz Logística e Operações Interestaduais do Estado de São Paulo

Este Workshop aconteceu na Fundap no dia 14 de Maio de 2009, das 14h00 às 18h00. Como os workshops anteriores, esse também foi um evento destinado a um público específico – equipe técnica da Coordenadoria da Arrecadação Tributária da Secretaria da Fazenda do Governo do Estado de São Paulo - CAT / SEFAZ-SP –, motivo pelo qual não foi divulgado com antecedência. Entretanto, com o objetivo de contribuir para o debate desse importante tema, o Portal debates Fundap está divulgando o programa e as apresentações realizadas no evento.

Objetivo:
Apresentação de estudos elaborados a partir da Matriz de Insumo Produto, Matriz Logística e Balança das Operações Interestaduais com o objetivo de subsidiar a Secretaria da Fazenda no desenvolvimento de metodologia de análise quantitativa das interrelações entre a tributação do ICMS e a economia paulista.

Público alvo:
Dirigentes, Agentes Fiscais de Rendas e Assessores Técnicos da SEFAZ-SP.


Abertura do Workshop
Dr. Geraldo Biasoto Junior (Diretor Executivo da Fundap)
Dr. Sidney Sanches (Diretor Adjunto da DEAT - CAT / SEFAZ-SP)

Ouça a Abertura do Workshop

Palestras realizadas no workshop:
  1. “Operações Interestaduais do Estado de São Paulo”
    João Marcos Winand
    Diretor Adjunto da Diretoria de Arrecadação Tributária – DEAT/CAT/SEFAZ-SP
    Ouça a apresentação


  2. “Aplicação de Modelos de Insumo-Produto para Análise da Arrecadação Tributária”
    Joaquim J. M. Guilhoto
    Professor Titular da FEA –USP; Chefe do Departamento de Economia.
    Veja a apresentação
    Ouça a apresentação


  3. “Matriz Logística para o Estado de São Paulo”
    Milton Xavier e Silvio Uehara
    Superintendente de Planejamento da Secretaria dos Transportes do Governo do Estado de São Paulo
    Veja a apresentação
    Ouça a apresentação


  4. Debate
    Ouça o debate


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Prévia do Produto Interno Bruto do primeiro trimestre de 2009

A Fundap, com base num modelo econométrico e numa série de indicadores antecedentes e coincidentes da atividade econômica disponíveis até maio de 2009, calcula uma prévia para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Utiliza-se uma série de indicadores que são altamente correlacionados com o PIB para apontar uma tendência prospectiva para o crescimento trimestral deste indicador. Segundo esta metodologia, o PIB do primeiro trimestre de 2009, em relação ao último trimestre de 2008, pode apresentar uma queda de 3,3% na série ajustada sazonalmente.








Leia o texto completo

terça-feira, 14 de abril de 2009

Boletim Cebrap

Um espaço para articular a reflexão atual sobre as políticas públicas, permitir o acesso, o debate e o aprofundamento de questões que circundam o ambiente de trabalho da Fundap. Entre as atividades do portal está a realização do Boletim Fundap Cebrap para o acompanhamento de políticas públicas no Brasil, com atenção especial ao Estado de São Paulo.

A terceira edição do boletim aborda a inclusão digital e o governo eletrônico (e-gov).
Leia a terceira edição do Boletim Fundap-Cebrap


A segunda edição do boletim Políticas Públicas em Foco analisa comparativamente os sistemas público e privado de saúde no Estado de São Paulo, com ênfase na avaliação dos usuários.

Leia a Segunda edição do Boletim Fundap Cebrap



A primeira edição do Boletim Fundap-Cebrap aborda o tema Ensino Profissionalizante e Qualificação Profissional, trazendo as análises feitas por especialistas e os resultados de um survey realizado na Região Metropolitana de São Paulo.

Leia a Primeira edição do Boletim Fundap Cebrap




terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Mercado de câmbio em 2008

Ao longo dos primeiros sete meses de 2008, o real manteve sua trajetória de apreciação, ocupando, mais uma vez, a primeira posição no raking das moedas emergentes que mais se valorizaram frente ao dólar. O objetivo desta nota técnica é examinar os fatores condicionantes desta trajetória, a despeito da reversão das condições favoráveis de liquidez externa, associada à crise financeira internacional. Parte-se da hipótese de que, no caso da economia brasileira, que possui um elevado grau de abertura financeira e mercados de derivativos líquidos e profundos, a taxa de câmbio nominal (Real/US$) é determinada pela interação das transações cambiais nos mercados à vista e futuro de câmbio.


sexta-feira, 6 de junho de 2008

O mercado de capitais brasileiro no período 2003-2007: evolução e tendências

Autor: Grupo de Conjuntura

O mercado de capitais brasileiro apresenta desde 2005 um grande dinamismo. De um lado, observa-se uma forte expansão da captação de recursos pelas empresas brasileiras via emissão de debêntures, ações, Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) e outros instrumentos de financeiros como o fundo de investimento em participação (FIP). De outro, verifica-se o aumento do número de companhias abertas que passou de 621 para 682 entre dezembro de 2005 e 2007.

Vários fatores explicativos estão na origem desse movimento: (i) o cenário internacional favorável; (ii) a melhora no quadro macroeconômico geral da economia brasileira, com a consolidação da estabilidade da moeda e, em particular, nos preços-chave da economia (câmbio e juros) e retomada do crescimento econômico; (iii) as mudanças regulatórias que permitiram criação e/ou aperfeiçoamento de instrumentos de securitização de dívida (como o FDIC e CRI - Certificado de Recebíveis Imobiliários e o aperfeiçoamento na infra-estrutura do mercado de capital brasileiro). No mercado acionário, onde a participação estrangeira atingiu 35,2% em dezembro de 2007, a importância do ciclo internacional de liquidez como um dos principais determinantes do dinamismo atual do mercado de capital brasileiro torna-se ainda mais evidente.

Veja o artigo na íntegra



quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ciclo de Seminários - 2º Evento - 28/05/08

Tema: DESENVOLVIMENTO: RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS

Com a hegemonia do pensamento neoliberal, o debate em torno às questões estruturais que conformam o subdesenvolvimento perdeu a centralidade. Passaram ao primeiro plano a estabilidade macroeconômica, essencialmente através das políticas monetária e fiscal, e as questões institucionais (reformas “market friendly”, privatização, criação de agências de regulação, etc.). Nessa visão, o desenvolvimento adviria como resultado “natural” de tais políticas desde que acompanhadas de políticas sociais, principalmente educação, saúde e assistência social, preferencialmente se focalizadas nos segmentos mais vulneráveis.

Assistimos hoje a um ainda incipiente processo de superação desse paradigma. Volta-se a atribuir importância ao papel do Estado no enfrentamento dos problemas do desenvolvimento, cujas causas estruturais permanecem a despeito do cumprimento daquele ideário. Esse papel já não poderá ser da mesma natureza que assumiu no passado e as novas formas de ativismo governamental serão objeto de um seminário especial.


Abertura do Seminário
Vera Lúcia Cabral Costa –Diretora Técnica de Políticas Sociais da Fundap



Mediador:
- Cláudio Salm
Professor do Departamento de Economia da UFRJ e membro da editora do site Aparte - Inclusão Social em Debate
Veja o texto desse expositor
Ouça a apresentação de Cláudio Salm


Expositores:
- Carlos Alonso B. de Oliveira

Professor do Instituto de Economia da Unicamp
Veja o texto desse expositor
Ouça a apresentação de Carlos Alonso B. de Oliveira




- José Carlos Braga
Professor do Instituto de Economia da Unicamp
Veja o texto desse expositor
Ouça a apresentação de José Carlos Braga


- José Luis Fiori
Professor de Economia Política Internacional no Instituto de Economia UFRJ
Veja o texto desse expositor
Ouça a apresentação de José Luis Fiori



Veja as fotos do seminário





Debate:
-Abertura dos debates - Cláudio Salm

Ouça a abertura dos debates

Ouça a primeira pergunta

Ouça a segunda pergunta

Ouça a terceira pergunta

Ouça a quarta pergunta

Ouça a quinta pergunta

Ouça a sexta pergunta

Resposta de José Carlos Braga às perguntas

Resposta de José Luis Fiori às perguntas

Resposta de José Luis Fiori às perguntas (parte 2)






Parte 1 - Debate













Parte 2 - Debate














Parte 3 - Debate













Parte 4 - Debate












Parte 5 - Debate










terça-feira, 27 de maio de 2008

Do “vôo da galinha” ao crescimento sustentado: possibilidades e incertezas

Autor: Grupo de Conjuntura

Esta Nota Técnica traça a evolução da economia brasileira pós plano real destacando os dois períodos (1999-2002 e 2003-2007) nos quais a gestão macroeconômica é estruturada a partir do câmbio flutuante e das metas de inflação. A linha de análise é confrontar as relações entre as mudanças no cenário internacional e o desempenho da atividade produtiva doméstica avaliando os movimentos dos preços chaves – juros e câmbio. A economia brasileira passa por uma mudança do seu eixo dinâmico no período recente, o vetor de dinamismo está sendo o mercado interno. Em 2006 e 2007, a demanda doméstica contribuiu com, respectivamente 5,2 e 6,9 pontos percentuais na expansão do PIB. A demanda externa passou a contribuir negativamente neste período devido ao incremento das importações acima do patamar das exportações. Três fatores influenciaram a expansão do mercado interno: (i) o ciclo de crédito – alongamento dos prazos e redução da taxa de juros; (ii) o crescimento da massa de rendimento e do emprego formal; (iii) a consolidação de um conjunto de políticas sociais distributivas de renda, cujo destaque é o programa Bolsa Família. O ano de 2007 é a marca divisória entre uma situação anterior de tranqüilidade em relação à condução da política econômica e um cenário de maior turbulência no cenário internacional, num contexto de aceleração do crescimento doméstico. Se do ponto de vista do desempenho da economia o ano de 2007 foi virtuoso, os desdobramentos desse dinamismo num cenário externo mais restritivo devido à crise financeira dos EUA, já mostram sinais de potenciais desequilíbrios no balanço de pagamentos. A apreciação cambial que ajudou a levar a inflação para abaixo da meta em 2006, agora cobra o seu preço. No final de 2007, a taxa de câmbio nominal chegou ao patamar 1,75 e retirou competitividade das exportações estimulando um maior número de empresas aderirem às importações. Neste contexto, a gestão da política econômica entrou em uma fase mais difícil a partir de 2008, o aumento da volatilidade dos fluxos de capitais para o país e a tendência de alta das matérias-primas no mercado mundial, impôs constrangimentos entre o patamar de preços buscado pelo Banco Central e o cenário de aquecimento do mercado interno.

O comércio exterior brasileiro em 2007

Autor: Grupo de Conjuntura

O trabalho destaca os principais resultados do comércio exterior brasileiro em 2007, com ênfase na evolução dos preços e das quantidades exportadas e importadas. No ano passado, o superávit comercial foi de US$ 40 bilhões, um recuo de 13% em relação ao resultado de 2006, decorrente do maior dinamismo das compras externas vis-à-vis as vendas externas. A forte expansão das importações esteve associada tanto à apreciação do real, como ao maior crescimento econômico em 2007. Já a expansão de 17% das exportações entre 2006 e 2007, em um contexto de taxa de câmbio real apreciada e maior dinamismo do mercado interno, foi propiciada pela evolução favorável do comércio mundial em termos de quantidades e, sobretudo, de preços.


A principal conclusão é que a mudança inédita da posição externa de devedora para credora da economia brasileira no inicio de 2008, estruturada a partir dos resultados positivos nas transações correntes registrados nos últimos cinco anos, e viabilizados até 2006 pelos sucessivos e crescentes superávits na balança comercial, pode ter vida curta. O cálculo desta posição credora subestima o passivo externo do país, pois não considera o estoque de investimento estrangeiro de portfólio no mercado financeiro doméstico, aplicado em ações e títulos públicos de renda fixa, que atingiu US$ 214 bilhões em dezembro de 2007.


Se na avaliação do grau de aprofundamento da crise financeira descartarmos um cenário pessimista – recessão nos Estados Unidos, com contágio para os demais países, inclusive asiáticos, – a balança comercial deve registrar esse ano um resultado ainda favorável, mas insuficiente para zerar o déficit em transações correntes. Caso estes resultados negativos persistirem nos próximos anos, a posição externa credora sofrerá restrições. Ou seja, para que esta posição seja sustentável, o superávit comercial não pode apresentar recuos adicionais, dada a rigidez da conta de serviços e rendas. Um desempenho exportador tão dependente da evolução dos preços das commodities, o crescimento intenso e generalizado das importações e a perspectiva de manutenção da taxa de câmbio num patamar apreciado suscitam preocupações quanto à evolução do saldo comercial a médio e longo prazo.

Veja o artigo na íntegra